
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem uma nova liderança. Pedro Proença venceu o sufrágio de 14 de fevereiro e é o novo presidente do órgão que tutela o futebol nacional. No arranque de uma nova era, o zerozero mergulhou nas ideias que a candidatura do ex-presidente da Liga Portugal apresentou para os vários domínios de ação da FPF, em particular o futebol feminino.
O mote é semelhante para todas as modalidades: ser o número um a nível mundial. Nesse sentido, a nova direção da FPF apresenta um projeto ambicioso e com várias medidas para os próximos quatro anos.
Aumentar praticantes e reforçar base de recrutamento das seleções
A premissa é semelhante a todas as modalidades: aumentar o número de praticantes. Mais praticantes, mais opções para as seleções nacionais, é certo, mas a FPF tem um outro plano traçado para poder alargar ainda mais a base de recrutamento para as seleções.
O plano denomina-se 'Gene Luso' e a nova direção pretende implementá-lo em todas as modalidades, sendo que consiste em detetar talentos que sejam luso-descendentes e possam representar Portugal.
De forma a proteger os jovens talentos, é também objetivo da nova direção criar um outro programa, de nome 'Talento de Elite', especializado em acompanhar e desenvolver talento que tenha sido identificado desde idades precoces.
Portugal entre as 20 melhores do Mundo
Portugal ocupa atualmente o 22.º lugar no ranking da FIFA. O objetivo da direção da FPF eleita para os próximos quatro anos é o de colocar Portugal no top 20 mundial.
Nesse sentido, o programa eleitoral da lista presidida por Pedro Proença apresenta, na proposta n.º 131, a missão de criar uma estratégia nacional para o futebol feminino. Essa estratégia tem como objetivo atingir um lugar entre as 20 melhores do Mundo e preservá-lo no longo prazo.
Parte dessa estratégia, olhando a outras propostas apresentadas no programa eleitoral, deve passar por reconsiderar o quadro competitivo das competições seniores. Isto é, por si só, também uma proposta incluída no lote.
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Campeonato da Europa de 2029
Portugal é candidato a organizar a fase final do Campeonato da Europa de 2029 e também aí a FPF pretende uma aposta forte e que possa reforçar as hipóteses de as melhores seleções da Europa passarem pelos estádios portugueses.
De forma a cumprir o objetivo de trazer até ao nosso país a maior prova europeia de seleções a nível feminino, é de esperar trabalho do órgão federativo nesse sentido, até porque a proposta n.º 132 é clara: «Promover e garantir o sucesso da candidatura à organização do Campeonato Europeu de futebol feminino de 2029.»
Quadros competitivos, profissionalização e aposta na base
Um dos temas mais importantes que surge no programa eleitoral de Pedro Proença, relacionado com o futebol feminino, diz respeito à profissionalização da modalidade. Há uma proposta na qual a nova direção da FPF se compromete a acompanhar esse processo de profissionalização, «preparando as bases de uma liga profissional sustentável, com a criação dos respetivos modelos de autorregulação, controlo económico, licenciamento e proteção das atletas».
No seguimento de poder tornar a modalidade mais profissional em Portugal, há uma série de medidas nos planos: ajudar os clubes a encontrar patrocinadores atrativos, incentivar um regime em que exista uma distribuição do valor das apostas desportivas no futebol feminino equilibrada entre os clubes e também uma distribuição equilibrada entre os clubes das receitas obtidas nas competições femininas da UEFA. Tudo isto terá como objetivo poder tornar os clubes portugueses mais fortes ao nível económico.
A aposta na formação apresenta-se também como uma das bandeiras da nova direção e o futebol feminino não é exceção nesse aspeto. A FPF pretende iniciar a discussão para a criação de novos escalões para as seleções femininas, mas também levar a cabo iniciativas como «desenvolver a versão feminina do Torneio Lopes da Silva» e «estabelecer, de forma gradual, a obrigatoriedade de os clubes de primeira e segunda liga feminina terem escalões de formação de futebol feminino».
Investimento na formação e no trabalho com as associações
Formar, formar, formar. A formação está na base de tudo e não só ao nível das atletas. Uma das propostas da direção liderada por Pedro Proença também aponta às treinadoras e prende-se com garantir mais formação para elas.
É visível que a intenção desta nova FPF é a de começar a pirâmide exatamente por onde ela deve começar, a base, e fornecer as melhores condições possíveis para os escalões de formação. Por isso, uma outra proposta que surge no programa eleitoral é a de «promover ações de sensibilização para o maior equilíbrio na repartição das infraestruturas entre as equipas de futebol masculino e futebol feminino, reduzindo os desequilíbrios no acesso a infraestruturas nos escalões de formação».
Por último, a Federação pretende também trabalhar em proximidade com as associações regionais. Nesse sentido, com um objetivo de «fomentar o futebol feminino», a FPF pretende incentivar a realização de torneios regionais interassociações.