
Quando se é dedicado ao trabalho como Rafael Nadal, e quando se ama tanto o trabalho que se faz, é sempre difícil dizer adeus. Ainda assim, o vencedor de 22 títulos do Grand Slam tomou a decisão de se despedir no ano passado, e a Copa Davis, em Espanha, em novembro de 2024, foi a sua última competição. Desde então, por sua própria admissão, não pegou numa raqueta, dedicando o seu tempo a todas as coisas para as quais não teve tempo durante a carreira. Por exemplo, jogar golfe ou assistir a jogos do Real Madrid, clube de futebol pelo qual torce apaixonadamente.
«Não peguei numa raqueta desde que me retirei. Perdi parte daquela energia competitiva e isso chateia-me. Jogo golfe, mas não estou tão focado como antes. Não me interessa jogar sem objetivo. Sempre fui um lutador, prefiro lutar até ao fim do que vencer facilmente», disse Rafael Nadal numa conferência na Universidade UAX em Madrid.
Embora tenha sido difícil dizer adeus – o que é lógico, pois o ténis é o desporto ao qual dedicou a vida –, Nadal destacou que se adaptou bem à reforma. «O corpo agora descansa e finalmente estou mais tranquilo. Não lidei mal com o fim da carreira, por enquanto tenho-me saído bem. Cresci numa família que me deu apoio, mas não pressão adicional. Quando chegam os momentos difíceis, o que se aprendeu antes ajuda a lidar com isso.»
A lesão que podia ter acabado a carreira aos 19 anos
O corpo de Rafa foi atormentado por lesões ao longo da carreira. O tenista sofre da síndrome de Muller-Weiss, um problema crónico no pé que o afeta desde 2005. «Vários médicos disseram-me que nunca mais voltaria a jogar. Tinha 19 anos... No final, a solução foi usar palmilhas personalizadas e sapatilhas com sete milímetros de apoio adicional. Salvámos o pé, mas destruímos tudo o resto, o meu corpo ficou desestruturado», explicou.
Rafa também respondeu à pergunta sobre quais os jogos que ficaram gravados na sua memória: «A final de Wimbledon de 2008, contra Federer, foi um dos jogos mais difíceis que já joguei. Depois de duas derrotas na final, essa vitória mostrou-me que posso vencer fora da terra batida. Depois, a final do Australian Open de 2022, contra Medvedev... Estava a perder por 2-0 em sets, mas sabia que não podia desistir. Vale a pena lutar por aqueles 4% de hipóteses – esse é o meu lema.»