
"Grande parte dos monumentos da Cidade Velha antiga ainda se encontram debaixo do chão e estão a ser paulatinamente descobertos e trazidos à luz do dia", disse o investigador cabo-verdiano à agência Lusa, a propósito da inauguração, hoje, da exposição "Cidade Velha - Berço da Nação Cabo-verdiana", no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa.
Daniel Pereira, autor do livro "Marcos cronológicos da Cidade Velha", é curador desta exposição documental, enquadrada nas celebrações do 50.º aniversário da independência de Cabo Verde, que revela documentos e fotografias dos monumentos desta cidade, Património Mundial da UNESCO desde 2009.
"A Cidade Velha foi a primeira cidade que foi implantada na África Subsaariana por europeus, por portugueses. É o início daquilo que foi, ao longo do tempo, a construção da nação cabo-verdiana", referiu.
O investigador disse que a exposição que é hoje apresentada ao público, na presença do ministro da Cultura de Cabo Verde, é documental e conta com "livros que já foram escritos, projetos que já foram elaborados, sobretudo fotográficos".
Mas a exposição mostra, não apenas o que há, mas "também o que não se vê e que é necessário que se veja".
"Há muita coisa, a Cidade Velha está debaixo do chão", afirmou, referindo que as descobertas não têm parado, apoiadas pela cooperação internacional.
E deu o exemplo da capela lateral da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, descoberta em 2019 durante os trabalhos de reabilitação deste edifício, e que é da primeira fase da igreja, datada de 1495.
Mas também as ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a mais antiga de Cabo Verde, construída entre 1466 e 1470, e mais recentemente as fundações da Casa da Misericórdia na Cidade Velha.
"O grande problema da Cidade Velha é que é um museu a céu aberto, por um lado, e por outro lado é um museu vivo, porque as pessoas vivem lá, no meio destes monumentos todos", observou.
Daniel Pereira, também autor do livro "A importância histórica da Cidade Velha", escrito em cinco línguas, refere-se a esta cidade como "o início de uma nova civilização, o início de uma nova cultura, promovida, de alguma forma, pela expansão portuguesa e espanhola".
"É claro que os homens de 400 e 500 não sabiam exatamente que estavam a transformar o mundo. O nascimento da nação cabo-verdiana não era previsto de maneira nenhuma. Portanto, isso aconteceu independentemente da vontade dos homens", disse.
A Cidade Velha, que nasceu como Cidade da Ribeira Grande,foi oficialmente descoberta em 1460 e, dois anos depois, começou a dar os seus primeiros passos.
"Todos os grandes navegadores de quatrocentos e quinhentos sulcaram as nossas águas marítimas, rumo ao arquipélago cabo-verdiano", como Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, Cidade da Ribeira Grande, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano.
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