A média nacional dos exames do secundário realizados em 2024 manteve-se praticamente inalterada em relação ao ano anterior, mas duplicaram as escolas públicas com média negativa, segundo uma análise da Lusa a dados do Ministério da Educação.

No ano passado, houve mais alunos a realizar exames nacionais: Pouco mais de 118 mil alunos dos cursos científico-humanísticos fizeram pelo menos uma prova na 1.ª fase, enquanto no ano anterior foram cerca de 110 mil. No total, os professores avaliaram mais de 231 mil exames e a média nacional desceu 0,25 valores em relação a 2023, situando-se agora nos 11,43 valores.

Subida no privado, descida no público

Esta descida deveu-se à performance dos alunos das escolas públicas, onde estuda a grande maioria dos jovens e cujo desempenho médio desceu ligeiramente (menos 0,28 valores), contrariamente aos colégios, que registou uma ténue subida de 0,05 valores.

A média dos exames dos alunos do ensino privado subiu para 13,07 valores e no público desceu para 11,21 valores, segundo uma contabilidade feita pela Lusa a 231.950 provas da 1.º fase. Escolas públicas e colégios ficam agora separados por 1,8 valores numa escala de zero a 20.

Também aumentaram as escolas com média negativa: Num universo de 448 escolas públicas com mais de cem provas realizadas "chumbaram" 60, mais do dobro do ano anterior (25 escolas). Já entre os 76 colégios "chumbaram" quatro (5,3%), mais um do que em 2023.

Olhando para as disciplinas, as médias nacionais rondaram entre os 10 e os 13 valores, com Inglês e Economia A a registar as classificações médias mais elevadas (13,1 valores), seguindo-se História A (12,7) e Matemática A (12,6).

Dentro dos 11 valores surgem Matemática Aplicada às Ciências Sociais, Português e Física e Química A. As disciplinas com médias mais baixas foram Geografia A (10,3), Filosofia e Biologia e Geologia (ambas com 10,4) e Geometria Descritiva A (10,7).

Situação familiar continua a ter forte impacto

Os dados mostram também que a situação familiar continua a ter forte impacto no sucesso académico e que é muito mais difícil para os mais pobres ter boas notas: Os alunos sem Apoio Social Escolar (ASE) obtiveram melhores resultados a todas as disciplinas quando comprados com os beneficiários do escalão A de ASE.

As disciplinas em que se notou maiores diferenças tendo em conta a condição socioeconómica foram Inglês, Economia A, Matemática A, Física e Química A, Geometria Descritiva A, Biologia e Geologia e Filosofia.

Também são díspares as notas atribuídas pelos professores ao trabalho realizado ao longo do ano pelos alunos do ensino privado e das escolas públicas: Nos colégios, a média interna foi quase mais dois valores acima.

No ano passado, a média dos alunos dos cursos científico-humanísticos (CCH) das escolas públicas foi de 15 valores, enquanto no privado foi de 16,9 valores, mantendo-se uma tendência que se regista há, pelo menos, sete anos.

As notas internas têm vindo a subir, sendo que a nota mais vezes atribuída no ano passado nas escolas públicas foi de 17 valores, enquanto nos colégios foi de 19.

Os desempenhos nas muitas disciplinas

As notas finais mais elevadas são atribuídas às disciplinas anuais, segundo uma análise aos resultados dos 111 mil alunos de escolas públicas e 12.591 estudantes de estabelecimentos privados.

A Aplicações Informáticas B e Inglês existe um elevado número de alunos que termina o ano com a nota máxima ou com 19 valores, sendo as duas disciplinas anuais com notas mais altas.

Educação Física continua a ser a disciplina trienal em que mais alunos conseguem bons resultados: A média nacional foi de 16,9 valores nas escolas públicas e 18,2 no privado. No leque das bienais, destacam-se Espanhol e Inglês no ensino público e Filosofia, Biologia e Geologia e a Economia A no privado.

Numa comparação entre áreas de estudo, os alunos com melhores notas são os dos cursos de ciências e tecnologias, seguidos de ciências socioeconómicas.

As raparigas continuam a ter melhores resultados no geral, destacando-se sobretudo a Português, Matemática A e Filosofia, sendo o desempenho dos rapazes melhor a História A, Física e Química A, Geometria Descritiva A e Geografia A.


Com LUSA