
O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, anunciou na quarta-feira a imposição de "tarifas recíprocas" sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros e 20% sobre todos os produtos vindos da UE, o que motivou reações por todo o mundo.
“Este dia vai ser para sempre lembrado como o dia em que a Indústria americana renasceu e como o dia em que começámos a tornar a América rica de novo", disse o Presidente norte-americano, num discurso de quase 40 minutos.
França diz que UE vai tributar serviços digitais dos EUA em resposta a tarifas
A União Europeia, "pronta para uma guerra comercial" com os Estados Unidos, planeia "atacar os serviços digitais" em resposta à imposição de tarifas por parte de Washington, disse esta quinta-feira a porta-voz do Governo francês.
"Estamos quase certos de que teremos de facto efeitos recessivos na produção", acrescentou Sophie Primas à emissora RTL, manifestando especial preocupação com um impacto acentuado no setor dos vinhos e bebidas espirituosas.
Após a decisão dos EUA, a UE está a preparar "uma primeira resposta que entrará em vigor em meados de abril, que corresponderá ao seu primeiro ataque ao alumínio e ao aço", explicou Primas. "E depois há uma segunda ronda de resposta que provavelmente estará pronta até ao final de abril para todos os produtos e serviços", acrescentou.
Neste momento, esta segunda resposta está "a ser negociada entre os países membros da União Europeia", disse a porta-voz. "Mas também vamos atacar os serviços. Por exemplo, os serviços digitais, que atualmente não são taxados e poderiam ser", insistiu.
A resposta poderia também dizer respeito ao "acesso aos nossos mercados públicos", indicou Primas. "Temos agora uma gama completa de ferramentas e estamos prontos para esta guerra comercial", garantiu.
Governo alemão diz que união da UE é crucial na resposta
O ministro alemão da Economia, Robert Habeck, disse esta quinta-feira que é crucial para a União Europeia ter uma resposta unificada às tarifas comerciais dos EUA.
“A força da Europa é a nossa força. Temos o maior mercado único do mundo e temos de utilizar essa força."
Espanha vai tomar medidas para proteger empresas e consumidores
O ministro da Economia espanhol, Carlos Cuerpo, disse esta quinta-feira que o governo está pronto para tomar medidas para proteger as empresas e consumidores do país dos efeitos das novas tarifas.
As novas tarifas são “injustas e injustificadas”, disse o ministro numa entrevista à estação de rádio RNE, citada pela agência Reuters.
Países da União Europeia demonstram preocupação
Na Polónia, o primeiro-ministro, Donald Tusk, afirmou que são necessárias decisões adequadas. Numa mensagem difundida através das redes sociais, Tusk não especificou o tipo de medidas.
A Dinamarca criticou também as novas tarifas. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, disse que a Europa deve permanecer unida e preparar respostas "sólidas" e proporcionais.
Na Irlanda, o primeiro-ministro, Michael Martin, afirmou que lamenta profundamente as tarifas impostas à União Europeia e apelou a uma reposta "proporcionada" dos 27 Estados membros.
Na mesma linha, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que a introdução pelos Estados Unidos de direitos aduaneiros contra a União Europeia é uma medida errada.
Mesmo assim, Meloni declarou que pretende chegar a um acordo com os Estados Unidos, a fim de se evitar uma guerra comercial que enfraqueceria o que chamou "Ocidente" em benefício de outros atores mundiais.
Reino Unido vai responder com "calma e cabeça fria"
O Reino Unido vai responder "com calma e cabeça fria" às tarifas de 10% anunciadas pelos Estados Unidos aos produtos britânicos, afirmou esta quinta-feira o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Numa reunião esta manhã com líderes empresariais na residência e gabinete social em Downing Street, em Londres, Starmer admitiu que as tarifas terão "claramente um impacto económico, tanto a nível nacional como mundial".
"Ontem à noite [quarta-feira], o presidente dos Estados Unidos agiu em nome do seu país, e esse é o seu mandato. Hoje, atuarei em defesa dos interesses do Reino Unido", afirmou.
Starmer disse que o Governo vai passar à fase seguinte do seu plano e que as decisões a tomar nos próximos dias e semanas serão guiadas apenas pelo interesse nacional, pela economia do país, pelo interesse das empresas e pelo interesse de "pôr dinheiro nos bolsos dos trabalhadores".
O Reino Unido foi relativamente poupado pelo aumento de tarifas aduaneiras anunciado por Trump, com tarifas de 10%, o nível mais baixo anunciado.
Os Estados Unidos, com os quais a balança comercial está praticamente equilibrada, são o segundo maior parceiro comercial do Reino Unido, muito atrás da União Europeia.
Canadá garante que vai lutar contra tarifas de Trump
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, garantiu na quarta-feira que o seu país vai lutar contra as tarifas nos setores do aço, alumínio e automóvel anunciadas pelo Presidente norte-americano, apesar de preservarem "elementos importantes" da relação bilateral.
Carney afirmou que "a partir de hoje [quarta-feira] à noite, as tarifas sobre o setor automóvel entrarão em vigor, e os EUA indicaram que haverá tarifas adicionais sobre setores estratégicos", o que terá impacto direto em "milhões de canadianos".
O governante, que estava a caminho de se reunir com o seu gabinete para discutir as tarifas de Trump, acrescentou que o Canadá vai "combater estas tarifas com contramedidas".
"Vamos proteger os nossos trabalhadores e construir a economia mais forte do G7."
China pede aos Estados Unidos que "cancelem imediatamente" taxas alfandegárias
A China instou esta quinta-feira os EUA a "cancelarem imediatamente" as novas taxas alfandegárias, apelando ao diálogo, face a barreiras comerciais que "põem em causa o desenvolvimento económico global".
"A China insta os Estados Unidos a cancelarem imediatamente as taxas unilaterais e a resolverem adequadamente as disputas com os seus parceiros comerciais através de um diálogo justo", afirmou o Ministério do Comércio chinês, em comunicado.
Segundo o ministério, esta ofensiva protecionista da Casa Branca, sem precedentes desde os anos 1930, "põe em risco o desenvolvimento económico global" e ameaça as cadeias de abastecimento internacionais, afetando também os interesses norte-americanos.
O ministério disse que se opõe "de forma firme" às novas taxas alfandegárias, que são particularmente pesadas para os seus produtos, e prometeu lutar para defender os "direitos e interesses" da China.
"Não há vencedores numa guerra comercial e não há saída para o protecionismo."
Brasil aprova lei da reciprocidade após anúncio de Trump
A Câmara dos deputados do Brasil aprovou na noite passada o projeto de lei de reciprocidade em comércio externo em resposta às tarifas de 10% aos produtos brasileiros anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O projeto de lei permite ao Poder Executivo adotar medidas a países ou blocos económicos que criarem medidas de restrição às exportações brasileiras, sejam de natureza comercial, ou de origem do produto. O projeto de lei segue agora para ser aprovado pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva.
"Este episódio entre Estados Unidos e Brasil deve nos ensinar definitivamente que, nas horas mais importantes, não existe um Brasil de esquerda ou de direita, existe apenas o povo brasileiro e nós representantes do povo temos de ter a capacidade de defender o povo acima de nossas diferenças", disse o presidente da Câmara, Hugo Mota, antes da votação.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, apenas ultrapassados pela China e em 2024, o país exportou 37,16 mil milhões de euros (ao câmbio atual) e importou 37,39 mil milhões de euros.
Enquanto o projeto era votado, o Governo brasileiro emitiu uma nota destacando a aprovação pelo Senado e lamentando a decisão tomada pelos Estados Unidos.
"A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA", frisou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro.
Austrália considera tarifas dos EUA "totalmente injustificadas"
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, defendeu serem "totalmente injustificadas" as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, considerando-as negativas para as relações bilaterais.
"Estas tarifas não são inesperadas, mas sejamos claros: são totalmente injustificadas", afirmou Albanese numa conferência de imprensa após o anúncio das tarifas de 10%.
"Isto terá um impacto na perceção que os australianos têm desta relação."
Japão pondera uma "resposta mais eficaz"
O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, questiona a decisão de Trump em aplicar tarifas a todas as importações: “O Japão é um país que está a fazer uma grande quantidade de investimentos nos Estados Unidos, por isso perguntamo-nos se faz sentido para (Washington) aplicar tarifas uniformes a todos os países."
“Precisamos de considerar o que é melhor para o interesse nacional do Japão. Estamos a colocar todas as opções em cima da mesa para optar pela resposta mais eficaz.”
Coreia do Sul vai usar "todas as suas capacidades para ultrapassar a crise comercial"
O presidente interino da Coreia do Sul, Han Duck-soo, pediu diálogo aos Estados Unidos para proteger a economia sul-coreana e ordenou medidas de apoio às empresas.
Han pediu ao ministro da Indústria que analisasse o conteúdo das tarifas e negociasse ativamente com Washington para minimizar o impacto, segundo um comunicado do Ministério da Indústria.
“Como a guerra comercial global se tornou uma realidade, o governo deve utilizar todas as suas capacidades para superar a crise comercial.”
Taiwan diz que tarifas não são razoáveis
O governo de Taiwan disse esta quinta-feira que as novas tarifas norte-americanas não eram razoáveis e que as discutiria com Washington.
Num comunicado citado pela agência Reuters, Taiwan declarou que lamentava a decisão de Trump e que iria procurar esclarecimentos, assim como prosseguir as conversações com Washington para garantir a proteção dos interesses de Taiwan.
- Com Lusa