“A infeção por HPV é uma infeção sexualmente transmissível que, atualmente, é uma pandemia, já que quase 80% das mulheres sexualmente ativas vão ter contacto com o vírus ao longo da vida”, começa por dizer Irina Ramilo. Apesar de um teste positivo não significar que a mulher vai ter, inevitavelmente, cancro do colo do útero, a ginecologista alerta para a possibilidade de a infeção persistir, ficar latente ou reativar. Para tal, é preciso evitar determinados hábitos menos saudáveis. “O principal é o tabagismo, assim como a baixa imunidade – muitas vezes, associada a outras patologias.”

Ambos estes fatores de risco devem ser combatidos ou minimizados (no caso da baixa imunidade), já que “a persistência da infeção por HPV é o que contribui para alterações no colo do útero e que podem, em última instância, levar a cancro.” Como acrescenta: “A imunidade inata tende a eliminar este vírus, mas quando tal não acontece, é preciso apostar na imunidade adquirida, através da vacina, ou via tratamento médico local.”

Tendo em conta que se trata de uma infeção que começa por ser assintomática, o vírus pode ficar latente durante meses ou anos. Mesmo após tratamento, existe alguma probabilidade de se verificar a reativação do papilomavírus. “HPV é como um herpes. É um vírus e, tal como nos casos de persistência, é preciso deixar de fumar e tratar a imunidade baixa, provocada por outras doenças, ou mesmo a imunidade a nível local.”

Podendo reativar, exige-se que se mantenham os rastreios de forma periódica, para se evitar o surgimento de neoplasia e de cancro do colo do útero ou, pelo menos, para que os mesmos sejam detetados atempadamente. “Mesmo as mulheres que já testaram positivo para HPV, podem fazer a vacina; alguns estudos consideravam que se devia imunizar até aos 45 anos, mas, atualmente, não há idade limite.”

Irina Ramilo aconselha, inclusive, que os médicos devem pensar na vacinação, mesmo quando a mulher tem de ser submetida a conização. “É uma boa janela de oportunidade para sensibilizar, porque existe evidência científica de que a vacinação contribui para que não haja tantas probabilidades de recidiva.” Acrescenta, ainda, todas as mulheres na faixa etária dos 40 anos a fazerem novamente a vacina, que inclui nove serotipos, em vez de quatro. “Não sabemos, efetivamente, se a primeira vacina de quatro serotipos mantém a proteção.”

Questionada sobre o papel do microbioma na infeção, nomeadamente na sua persistência e reativação, a médica diz que é importante equilibrar a microbiota vaginal. “Um microbioma menos oxidativo e mais saudável diminui, obviamente, a probabilidade de (re) infeção”, conclui.

MJG

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