
A Organização Não-Governamental Fórum Penal (FP) disse hoje que há 903 presos políticos na Venezuela, cinco dos quais são adolescentes.
Segundo o FP, conhecido por defender os direitos das pessoas detidas por motivos políticos na Venezuela, do total de presos políticos, 736 são civis e 167 são militares, 815 são homens e 88 mulheres, sendo que, na última semana, sete pessoas foram libertadas.
Por seu turno, o portal Efecto Cocuyo (EC) denunciou hoje que 281 políticos, jornalistas e ativistas dos direitos humanos foram detidos em oito meses na Venezuela, desde as eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.
"Apesar de em dezembro [de 2024] se terem registado libertações, as detenções aumentaram em janeiro. Este fenómeno é conhecido como o efeito da porta giratória, em que uns presos políticos são libertados enquanto outros são detidos", denunciou o EC.
O EC refere o caso de Juan Francisco Alvarado, estudante de Comunicação Social na Universidade Fermín Toro, estado de Portuguesa, detido a 20 de março na localidade de Apartaderos (600 quilómetros a sudoeste de Caracas).
Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP), o motivo foi a publicação de denúncias contra o Governo de Nicolás Maduro nas suas redes sociais, pelo que o Estado venezuelano o acusou de incitação ao ódio.
O Instituto de Imprensa y Sociedade (IPYS) da Venezuela rejeitou a acusação e instou as autoridades venezuelanas a garantirem a segurança e a integridade de Juan Francisco Alvarado e o respeito pelos seus direitos fundamentais, como a liberdade de expressão. Instou ainda as forças de segurança a deixarem de intimidar os profissionais da imprensa.
"Alvarado é o 27.º jornalista a ser detido e um dos 281 casos de detenções de atores políticos, jornalistas e ativistas dos direitos humanos desde as eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, quando o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou Nicolás Maduro como vencedor em detrimento de Edmundo González Urrutia, desencadeando uma série de protestos que foram punidos com repressão governamental", explica o EC.
Entre os 281 detidos estão 248 políticos e sete ativistas dos direitos humanos, precisa.
"A maior parte das detenções foi efetuada sem mandados de captura ou motivos explícitos. Algumas vítimas foram abordadas na rua ou levadas das suas casas por agentes do Estado (...) num universo de mais de 2.000 pessoas que foram presas por motivos políticos desde 28 de julho de 2024", acrescenta.
Segundo a imprensa local, com 30 detidos, Caracas, no distrito capital, é a cidade venezuelana com mais políticos, jornalistas e ativistas detidos, seguindo-se os estados de Miranda (29), Trujillo (28), Bolívar (20) e Arágua (13).
Dos 26 jornalistas detidos, 18 já foram libertados, enquanto Rory Branker, Julio Balza, Leandro Palmar, Salvador Cubillán, Víctor Ugas, José Camero e Roland Carreño, detidos após as eleições, continuam atrás das grades.
Quatro ativistas permanecem detidos: o advogado do foro penal Kennedy Tejera, o ativista dos direitos humanos dos indígenas Henry Gómez, a coordenadora da formação de cidadãos eleitorais da Súmate Nélida Sánchez, e Alberto Trentini, um trabalhador humanitário italiano da organização Humanidade e Inclusão.
Até à data, segundo o EC, "seis presos políticos morreram sob custódia do Estado por razões de saúde e falta de cuidados médicos, uma vez que, de acordo com queixas de presos libertados, familiares, dirigentes, ativistas e ONG de direitos humanos, os reclusos vivem em condições sub-humanas de sobrelotação, insalubridade e má alimentação nas prisões venezuelanas".