Três provas do Circuito Mundial em quatro meses, três pódios. Quatro, se quisermos incluir, pelo meio, mais um título de campeã nacional em 2024. Após ter conquistado o bronze dos -78 kg nos Jogos de Paris 2024, Patrícia Sampaio, de 25 anos, atravessa um momento de consistência e êxito que, atualmente, é ímpar na Seleção. 

Mas também faz elevar as expectativas para o próximo Europeu de Podgorica, entre 23 e 26 de abril. Campeonato continental no qual já foi 3.ª classificada em Montpellier 2023, depois de ter sido bicampeã europeia de juniores (2018 e 2019) e ganho nos sub-23 (2021).

Em dezembro, depois da medalha de bronze olímpica e tendo reduzido o período de férias pós-Jogos por não desejar estar cerca de seis meses sem competir ao mais alto nível – o que diz que mais gosta de fazer –, foi 3.ª no Grand Slam de Tóquio. 

Volvidos dois meses, no arranque da nova temporada, terminou o Grand Slam de Paris de ouro ao peito. E agora, no passado fim de semana, repetiu o bronze no Grand Slam de Tbilisi. Prova na qual, como a própria referiu a A BOLA, tinha tudo para ganhar. Afinal, no total dos quatro combates não chegou a estar mais de 4m no tapete, despachando três adversárias em: 29, 12 e 13 segundos e apenas lutando 2.15m nas meias-finais, onde perdeu frente à colombiana Brenda Olaya.

Ontem, na atualização dos rankings mundiais, somando os 500 pontos amealhados na capital da Geórgia, saltou da 6.ª para a 4.ª posição dos -78 kg.

São três pódios no Circuito em três provas no espaço de quatro meses. O que é isto lhe mostra? Está tudo como desejava? «Acima de tudo, mostra consistência, que é realmente aquilo que quero alcançar. Ter consistência nas lutas e na conquista das medalhas», começa por referir a judoca do Gualdim Pais.

«Depois dos Jogos, consegui sempre ir-me mantendo no pódio em diversas provas e com adversárias diferentes. Claro que sei que isto não vai ser sempre assim. Todos os atletas sabem que as derrotas vão surgir, como, por exemplo, aconteceu agora [na meia-final] mesmo que tenha acabado medalhada. Mas, como referi, acho que revela a consistência que, para mim, é o mais importante neste momento. Todas estas competições estão a ser uma preparação para os dois principais focos do ano: o campeonato da Europeu e o campeonato do Mundo», conta.

«E ver que, em várias competições e enfrentando atletas distintas, tenho conseguido subir constantemente ao pódio, é um bom indicador e importante na preparação. É sempre bom ir às provas e descobrir as coisas que estou a fazer bem e novos erros que vou cometendo e preciso voltar para casa e corrigir com vista essas competições mais importantes», acrescenta.

Da Seleção Nacional, e estamos a um mês do Europeu [Portugal leva nove judocas], apenas a Taís Pina [-70 kg] e a Patrícia foram a Tbilisi. Estava então a sentir essa necessidade de ter consciência em que ponto se encontra no seu trabalho? «Sim, ainda que isso seja uma decisão de equipa. Somos uma equipa multidisciplinar. Eu e o Igor [treinador e irmão], sempre em concordância com o Marco [Morais, selecionador feminino], vamos decidindo estas coisas», explica.

«Foi uma decisão de todos. O Igor fez o planeamento assim e viemos. Sinto-me bem a competir bastante e tenho a noção de que vou evoluindo a cada competição. Para mim isso é importante. Encaixando-o no planeamento e na programação, faz sempre todo o sentido. E fez ter vindo a Tbilisi», afirma a quarta judoca medalhada olímpica de Portugal, depois de Nuno Delgado, Telma Monteiro e Jorge Fonseca.

E todos aqueles combates resolvidos em poucos segundos, quase sempre no primeiro ataque. Era uma estratégia que levou à Geórgia? Resolver tudo o mais rápido possível? «Se foi com intenção? Sim, mas, na verdade, esse é o meu estilo de luta. Atacar bastante. Começar logo o combate a atacar. Nem sempre acontece que seja logo vantagem - por acaso nos dois primeiros foi bastante rápido – mas, geralmente, é o meu modo de combater. Ser a primeira a impor o ataque, a impor a pega, tudo».

E estando a um mês do campeonato da Europa, sem mais provas do Circuito até lá, como vai ser a preparação? «Será um mês como têm sido todos os outros: treinar o melhor possível, a evoluir e corrigir. Tenho erros para retificar, novas coisas que percebi que estou a fazer bem e que é para continuar. Treinar bastante e recuperar muito bem - que é muito importante - todos os dias para estar cada vez melhor».

E tem planeado algum estágio no estrangeiro, pois necessita de adversários, mulheres, que a ajudem a preparar esta fase final? «Vamos fazer de tudo. Ter um estágio nacional, outro internacional e também o período de treino no clube. Penso que, para mim, o mais proveitoso é ter um pouco de tudo já que em cada situação consigo trabalhar coisas diferentes. É muito bom ter essa combinação completa», refere.

Uma última curiosidade. O Europeu será no Montenegro, já lá competiu? «Há muitos anos… No Campeonato da Europa de Sub-23 de 2017. Há mesmo muitos anos. Numa outra vida...», deixa no ar, recordado a edição em que não terminou no pódio e na qual a grande amiga Maria Siderot sagrou-se campeã de -48 kg, Joana Diogo foi bronze na mesma categoria, assim como João Martinho nos -81 kg.