A Goldman Sachs é um dos símbolos do capitalismo global, que tem os seus defensores e os seus detratores, que nas teorias da conspiração é considerado como um poder oculto da governança mundial, e como o “banco que dirige o mundo”, título de um livro e de um documentário.

Marcus Goldman (1821-1904), o fundador da Goldman Sachs, nasceu na Baviera, no seio de uma família judia ligada à pecuária. Na onda de migração resultante das revoluções europeias de 1848 e do antissemitismo na Alemanha, Marcus e um irmão chegaram aos Estados Unidos. Marcus começou a trabalhar como vendedor ambulante em Filadélfia, onde conheceu a sua futura mulher, Bertha, e constituíram família.

Em 1869, os Goldman, o casal com cinco filhos, mudaram-se para a cidade de Nova Iorque, que era a capital financeira dos Estados Unidos desde a década de 1840, onde Marcus viria a dar vazão aos seus instintos empreendedores. Abriu uma loja de uma divisão em Pine Street e, num período de crédito bancário escasso e dispendioso, desenvolveu um pequeno negócio de compra e venda de notas promissórias, instrumentos financeiros semelhantes ao papel comercial, tendo como principais clientes os joalheiros grossistas de Maiden Lane, em Lower Manhattan, e os comerciantes e curtidores de peles de Beekman Street.

No seu primeiro ano, transacionou sozinho mais de 5 milhões de dólares em papel comercial. As suas fortes relações com os comerciantes permitiam-lhe avaliar a sua capacidade de crédito e atuar como um intermediário fiável entre os pequenos devedores e os credores institucionais, os bancos, tendo sido um pioneiro do papel comercial.

Goldman encontra Sachs

Em 1882 Marcus Goldman convidou o seu genro, Samuel Sachs, casado com a sua filha mais nova, Louisa, para partner junior e a empresa passou a denominar-se M. Goldman & Sachs. Samuel Sachs (1851–1935) nascera em 1851 em Maryland, começou a trabalhar como guarda-livros e geriu um pequeno negócio de placas de madeira, vidro e espelhos. Samuel Sachs era meticuloso, conservador, preocupado com a reputação do negócio, manteve-se empenhado no papel comercial, o negócio mais importante da empresa, mesmo quando a empresa se expandiu para outras atividades no mercado monetário e arbitragem.

Um relatório de crédito de 1882 de um livro de registos da R. G. Dun & Co. arquivado na Biblioteca Baker da Harvard Business School descrevia Marcus Goldman como “conhecido na rua… como um homem muito conservador, nada especulativo e considerado perfeitamente apto para qualquer contrato que pretenda celebrar”. Uma listagem atualizada em 1883 atestava que Marcus Goldman e Samuel Sachs eram “corretores de seguros”.

Com a entrada do seu filho mais novo, Henry Goldman (1857-1937), em 1885, e do genro Ludwig Dreyfuss (1840-1918), casado com a filha Reebecca, como sócios, a empresa adotou com um novo nome: Goldman, Sachs & Co. Henry Goldman nasceu em 1857 em Filadélfia, frequentou Harvard, mas abandonou o curso sem concluir a licenciatura. Passou vários anos a viajar pelo Oeste como vendedor da D. Rosenberg & Sons e trabalhou na empresa comercial Dreyfus, Willer & Co.

Em 1890, a sua empresa transacionava anualmente 30 milhões de dólares em papel (cerca de mil milhões de dólares em 2023), um dos maiores negociantes de papel comercial de Nova Iorque. As vendas de papel comercial tinham aumentado de 31 milhões de dólares em 1890 para 67 milhões de dólares em 1894. Em novembro desse ano, a Goldman Sachs foi um dos proponentes da segunda emissão de obrigações do Tesouro dos Estados Unidos, no valor de 50 milhões de dólares, para garantir ouro para o fundo de reserva nacional.

Considerado um pensador inovador pelos seus colegas, com uma abordagem ponderada do risco, Henry Goldman procurou expandir as atividades da empresa para novos segmentos. Viajava regularmente para Chicago, St. Louis, St. Paul e Kansas City para reforçar as credenciais da empresa no Midwest. Não se deixava intimidar pelos maiores atores financeiros da época e encorajava os seus colegas a competir por negócios que, tradicionalmente, as empresas judaico-alemãs, como a Goldman Sachs, nunca tinham conseguido.

A segunda geração no poder

Em 1893 Marcus Goldman deixou de ter um papel ativo na empresa, embora se tenha mantido como sócio, e Samuel Sachs e Henry Goldman tornaram-se os sócios principais da empresa. Esta combinação única de talentos moldaria a empresa durante mais de duas décadas. Henry Goldman era um negociante ousado, procurava cada vez mais oportunidades para a Goldman Sachs se expandir, especialmente na subscrição de ofertas e negociação de títulos. Samuel Sachs era um banqueiro mais conservador, que equilibrava os desejos de expansão de Henry com a abordagem cautelosa e ponderada que estabelecera o sucesso da empresa no papel comercial e no mercado cambial.

Nessa altura, Nova Iorque era o centro financeiro mais importante dos Estados Unidos, importando capitais da Europa e distribuindo-os pelos estados continentais. Os escritórios da Goldman Sachs situavam-se em 9 Pine Street e 10 Wall Street, a poucos passos do edifício vitoriano da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Em 1894, o valor total das obrigações emitidas nos Estados Unidos atingiu 309,8 milhões de dólares e o valor das ações oferecidas foi de 251,2 milhões de dólares. Na década de 1890, a Goldman Sachs tornou-se num dos maiores negociantes de papel comercial em Nova Iorque.

Em 1894, Harry Sachs, irmão de Samuel, como sócio, foi o primeiro membro da Bolsa de Valores de Nova Iorque da Goldman Sachs. Em 1896, a Goldman Sachs passou a ser membro da Bolsa de Valores de Nova Iorque e Harry Sachs tornou-se no primeiro sócio da Goldman Sachs a ter um lugar na NYSE. Nesse mesmo ano, o Dow Jones Industrial Average (DJIA) foi publicado pela primeira vez no The Wall Street Journal e, dez anos mais tarde, ultrapassou pela primeira vez um marco digno de registo: 100.

As inúmeras viagens à Europa de Samuel Sachs fizeram germinar a ideia de aproveitar as oportunidades de mercado. Argumentava que os clientes americanos só seriam plenamente servidos se a Goldman Sachs se expandisse para o estrangeiro, e imaginou a empresa como uma verdadeira firma bancária internacional.

Em 1897, Samuel Sachs chegou a Londres com uma carta de apresentação aos banqueiros comerciais Kleinwort, Sons & Co, feita por um dos principais comerciantes de café do mundo, Herman Sielcken, o “Rei do Café”, que estava estabelecido em Nova Iorque e Londres. A Kleinwort, por sua vez, tinha raízes em Havana, mas em 1858, Alexander Kleinwort abriu uma casa de aceitação em Londres chamada Drake, Kleinwort & Cohen.

Herman e Alexander Kleinwort pouco conheciam da Goldman Sachs, mas com base num aval do financeiro August Belmont, Jr., os Kleinworts concordaram com a parceria. A relação revelou-se bem-sucedida desde o início e prosperou durante décadas. A Goldman Sachs e a Kleinwort trabalharam em estreita colaboração em contas conjuntas em Londres, Paris, Berlim, Amesterdão e Budapeste. Especializaram-se em arbitragem de divisas e de ações, ambos considerados negócios rentáveis e em crescimento.

Em 1911, para facilitar a colocação de títulos americanos nos mercados de capitais franceses, a Goldman Sachs criou uma casa bancária privada em Paris, em associação com a Lehman Brothers, Kleinwort, Sons & Co. e Henri Hoechstaedter. O banco, conhecido como Henri Hoechstaedter & Cie, foi liquidado em 1921 devido aos problemas financeiros da Europa entre guerras.

A ligação com a Lehman Brothers

Em 1900, a Goldman Sachs abriu escritórios em Boston e Chicago, tornando-se assim uma empresa nacional. À medida que a economia americana se expandia para oeste, surgiram novas inovações financeiras para atender às realidades práticas de uma população mais dispersa.

Em meados do século XIX, surgiram os derivados financeiros, como os contratos a prazo e os contratos de futuros, como forma de os agricultores do Midwest fixarem os preços das colheitas que armazenavam em Chicago enquanto esperavam para as transportar para leste ou oeste através dos caminhos-de-ferro e das vias navegáveis. Em 1900, foi criado o Chicago Butter and Egg Board como uma câmara de compensação para contratos relacionados com estes dois produtos. Em 1919, o Conselho de Compensação expandiu-se para incluir contratos relativos a outras mercadorias, e passou a designar-se Chicago Mercantile Exchange (CME).

Samuel Sachs faleceu em Nova Jérsia em 1904 e, dois anos depois, em 1906, Henry Goldman começou a concentrar-se no que era então uma indústria nascente: a banca de investimento e a negociação de títulos. Queria ampliar os negócios da empresa e tentou entrar no financiamento das empresas ferroviárias e de serviços públicos, onde se faziam as maiores subscrições de títulos. Nesse esforço para ganhar a atenção das ferrovias, começou a fazer compras significativas de ações ferroviárias. Mas os atores estabelecidos no mercado ferroviário, como as casas de J. P. Morgan & Co., Kuhn, Loeb & Co., e Speyer & Co, defenderam ferozmente o seu território.

Esta barreira estimulou Henry Goldman a encontrar oportunidades diferentes e mais lucrativas, o que surgiu com a colocação em Bolsa da recém-formada United Cigar, que mais tarde seria renomeada General Cigar, que fez a fusão de três empresas de charutos em abril de 1906, e que operava 19 fábricas em Nova Iorque, Nova Jersey e Pensilvânia.

Henry Goldman desenvolveu uma nova abordagem à avaliação, não baseada somente nos ativos detidos, mas na capacidade de uma empresa gerar rendimentos e lucros. Este conceito inovador de utilizar o potencial de lucro de uma empresa para atrair investimentos de capital a longo prazo levaria ao rácio PER (Price Earnings Ratio), que mede a relação, a cotação e os lucros.

Com estava nova abordagem aliciou o seu grande amigo Philip Lehman, que representava a segunda geração do Lehman Brothers, fundado em 1850, e com quem almoçava regularmente. Pertenciam à elite financeira germano judia de Nova Iorque, puseram de lado a criação de uma nova sociedade e decidiram procurar novas oportunidades de cotação de empresas. O Goldman Sachs tinha uma base forte de clientes, enquanto o Lehman Brothers dispunha de capital disponível. Concordaram com uma divisão de 50/50 de todas as receitas, um acordo que duraria quase duas décadas com 114 ofertas públicas para 56 emissores de 1906 a 1924, incluindo fabricantes de roupas, fabricantes de charutos e lojas de departamento.

A venda bem-sucedida das ações ordinárias da United Cigar tornou-se um modelo para futuras transações de empresas, incluindo as ofertas públicas da Sears, Roebuck and Co. (também em 1906), Underwood Typewriter Co. (1910), B. F. Goodrich e F. W. Woolworth (ambas em 1912), entre muitas outras. Henry fez parte da direção da maioria das empresas cujas ofertas públicas foram subscritas pela firma.

Depois de Harry Sachs, outros três dos filhos de Samuel Sachs também se juntariam à Goldman Sachs na viragem do século XX: Arthur (1880–1975) e Paul (1878–1965) em 1900, e Walter (1884–1980) em 1908. Arthur Sachs estudou em Harvard e, como escreveu Daniel Schulman em “Money Kings”, era “um pouco frio e com um temperamento forte como os outros homens do seu clã dos Sachs”, e estava empenhado em expandir a presença financeira internacional da empresa. Em 1919 e 1920, abriu novas contas de negociação de divisas em Amesterdão e Paris. Foi um colecionador de arte e filantropo e tinha uma paixão por França, que começou com o segundo casamento com uma francesa, para onde se mudou quando se reformou. Morreu em Cannes, em 1975, com 95 anos.

Paul Sachs preparava-se para assumir um papel de liderança na empresa, tratando das relações com o parceiro britânico da empresa, Kleinwort, Sons & Co., e com clientes importantes, incluindo empresas como a Studebaker e a F. W. Woolworth. No entanto, a paixão de Paul era a arte e, em 1915, tornou-se diretor-adjunto do Fogg Art Museum da Universidade de Harvard, tendo criado o primeiro curso de formação para gestores e curadores de museus, tendo formado várias gerações. O terceiro filho, Walter Sachs, frequentou o Harvard College, do qual se formou em 1904 e onde foi editor do The Crimson, parte de uma equipa que incluía o colega de classe Franklin D. Roosevelt. Foi o primeiro funcionário a receber formação na Europa e foi admitido como partner em 1910.

Em 1910, Walter Sachs tornou-se membro da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), criada em 1909. O irmão Paul esteve ligado à National Urban League, uma organização de direitos civis da qual o cliente da Goldman Sachs, Julius Rosenwald, presidente da Sears, Roebuck, era um financiador e a que pertenceu a sua irmã, Ella Sachs Plotz.

O corte de Goldman com os Sachs

A I Guerra Mundial criaria uma cisão insanável no topo da Goldman Sachs. As raízes teutónicas exacerbaram Henry Goldman, que afirmou vocalmente a sua lealdade à Alemanha. Os restantes dos sócios apoiavam claramente os Aliados, o que gerou tensões durante as negociações do empréstimo privado anglo-francês de 1915 lançado pela J. P. Morgan, e, em particular, com os negócios da empresa em Londres através da Kleinwort, Sons & Co.

À medida que a guerra avançava, a posição de Henry Goldman na empresa tornou-se insustentável. Em outubro de 1917, reformou-se e saiu com um capital significativo. Este episódio levou ao corte de relações entre as duas famílias e Henry Goldman e Samuel Sachs nunca mais se falaram. Nas décadas de 1920 e 1930, Henry Goldman viajaria para a Alemanha, onde testemunhou a queda da República de Weimar e a ascensão do regime nazi, e faleceu em 1937.

Após a reforma de Henry Goldman em 1917, Harry Sachs (1857–1933) tornou-se o único sócio principal da empresa até 1921. Sublinhe-se que o filho de Harry, Howard Sachs, foi admitido como sócio da empresa em 1915. O substituto de Henry Goldman foi Waddill Catchings, que fora colega de Arthur Sachs em Harvard, que ficaria como sócio responsável pelos financiamentos industriais em 1918.

Waddill Catchings nasceu em 1879, no Tennessee, graduando-se no Harvard College em 1901 e na Harvard Law School em 1904. Foi advogado em Nova Iorque, ascendendo a sócio da Sullivan & Cromwell, destacando-se na recuperação judicial e como administrador de empresas industriais, tendo trabalhado no departamento de exportação da J.P. Morgan, na compra de materiais de guerra para os Aliados.

Na Goldman Sachs assessorou várias fusões significativas ao longo da década de 1920 e construiu rapidamente o seu portefólio de ações da Goldman Sachs, em 1921, e foi o primeiro sócio senior da empresa que não fazia parte das famílias Goldman ou Sachs. Waddill Catchings foi coautor de vários livros, como “Money” (1923), “Profits” (1925) e “The Road to Plenty” (1928).

Waddill Catchings detinha a maior participação na empresa e exercia maior poder e influência. Em dezembro de 1928, criou o Goldman Sachs Trading Corporation (GSTC), um fundo de investimento em ações, que aproveitou o crescimento do índice Dow Jones, que passou de 191 no início de 1928 para um recorde de 381,2 em setembro de 1929. Entretanto, comprava títulos a preços cada vez elevados, através de dívida e ações preferenciais. Era o maior fundo de investimento que até então tinha sido feito, com capital de 50 milhões de dólares, um excedente de caixa de mais 50 milhões de dólares, 42 mil acionistas, sendo cotado no seu IPO a 104 dólares a ação.

No início de 1929, a fusão com a Financial and Industrial Securities Corporation fez subir as ações em mais de 70% do preço de emissão de dezembro de 1928. Em três dias, as ações mais do que dobraram em relação ao seu valor inicial. O sucesso do Goldman Sachs Trading Corporation levou à aquisição da American Trust Company de São Francisco, e, em julho e agosto de 1929, formaram mais dois trusts com uma estrutura de propriedade interligada e altamente alavancada: a Shenandoah Corporation e a Blue Ridge Corporation.

O crash de 1929

Mas em outubro de 1929 iniciou-se o crash na Bolsa de Nova Iorque e, em janeiro de 1930, a capitalização de mercado caiu mais de 50%, para 233 milhões, e os preços das ações desceram para 40,94 dólares. Em maio de 1930, Waddil Catchings deixou a Goldman Sachs. Walter Sachs tornou-se presidente do GSTC, e, com Sidney Weinberg, assumiu a tarefa de liquidar os ativos do fundo de investimento. As consequências do fracasso do GSTC quase causaram o desaparecimento da empresa e atingiram a sua reputação. Walter Sachs aposentou-se em 1959 e permaneceu como sócio limitado da Goldman Sachs até à sua morte em 1980, aos 96 anos.

Em 1930, Sidney J. Weinberg chegou ao topo da Goldman Sachs, para onde entrara aos 16 anos, em novembro de 1907, a ganhar cinco dólares por semana como assistente do porteiro, o que incluía limpar cuspidelas. Sidney J. Weinberg nasceu em 1891 em Nova Iorque, começou a trabalhar muito cedo como paquete num negócio de moinhos e depois como mensageiro para empresas de investimento antes de ingressar na Goldman Sachs. O espírito de iniciativa, talento e energia de Weinberg fizeram-se notar e chegou rapidamente a chefe da sala de correio e chamou a atenção de Paul Sachs que lhe pagou a frequência de um curso na Universidade de Nova Iorque e o orientou na construção de uma carreira de sucesso na empresa.

Sidney J. Weinberg liderou a Goldman Sachs durante 39 anos até à sua morte em 1969, e foi um dos homens mais poderosos de Wall Street, foi administrador em mais de 35 empresas entre as quais Ford, General Electric, Sears, National Dairy Products (atual Kraft) e B. F. Goodrich; e foi conselheiro de cinco presidentes dos EUA.

Desde 1882 quando Samuel Sachs se associou a Marc Goldman, que várias gerações da família Sachs lideraram ou trabalharam no banco, o último dos quais foi Peter Sachs, filho de Howard Sachs e sobrinho-neto de Samuel, que trabalhou na Goldman Sachs entre 1969 e a sua reforma em 1990. Mas, neste percurso centenário, o papel da família Sachs foi fundamental entre 1927 e 1947 quando a Goldman Sachs teve lucros de 7 milhões de dólares e perdas de 14 milhões de perdas, que foram cobertas pelos Sachs, revelou Jim Weinberg, filho de Sidney Weinberg no livro “The Partnership: The Making of Goldman Sachs”, de Charles D. Ellis.

Como referiu William D. Cohan, autor de “Money and Power: How Goldman Sachs Came to Rule the World”, a cultura da Goldman Sachs era de ganhos a longo prazo: “os lucros vinham de relações duradouras com as firmas. Queriam que a IBM fosse cliente por 100 anos, e isso significava tratar bem os clientes”. O princípio pelo qual se pautavam era o da “ganância de longo-prazo”, como mais tarde sintetizou Gus Levy (1910–1976), que foi CEO da Goldman Sachs entre 1969 e 1976.

Seria 103 anos depois de a Goldman Sachs se ter tornado membro da NYSE que esta seria o palco da IPO da Goldman Sachs, uma das maiores ofertas públicas iniciais de serviços financeiros da história dos EUA, envolvendo quase 69 milhões de ações e angariando 3,6 mil milhões de dólares. No IPO da Goldman Sachs vendeu 69 milhões de ações (uma participação de 15%) a 53 dólares, arrecadando 3,7 mil milhões de dólares, uma das maiores ofertas públicas iniciais de serviços financeiros da história dos Estados Unidos. A 4 de maio de 1999, foi o primeiro dia de negociação na Bolsa de Iorque, com as ações a cotar nos 76 dólares, e fecharam 70,275 dólares, 33% acima do preço de oferta.

A principal mudança foi uma maior maximização do lucro da própria Goldman Sachs e o aproveitamento e a liderança da globalização financeira.

Surgiram livros e títulos como o “Goldman Sachs dirige o mundo” ou “Como governa o mundo”. Em 2009, Lloyd Blankfein, CEO entre 2006 e 2017 da Goldman Sachs, dizia que os banqueiros faziam o trabalho de Deus, mas sem as famílias Sachs e Goldman.