Dodik escreveu na rede X que recebeu um telefonema do presidente da Sérvia, o nacional-populista Aleksandar Vucic, que o informou que o recurso da Sérvia tinha sido aceite e que a Interpol tinha, portanto, recusado emitir o mandado de captura.

"Saúdo toda a gente, com a confirmação de que cheguei", declarou o Presidente da Republika Srpska (RS), a entidade sérvia da Bósnia, no início de uma entrevista à televisão pública (RTRS) em Banja Luka.

Dodik é procurado pelo Ministério Público da Bósnia no âmbito de uma investigação sobre um atentado à ordem constitucional, na sequência de uma série de ações secessionistas levadas a cabo desde o final de fevereiro pelas instituições autónomas da República Srpska.

A justiça bósnia, que deseja interrogá-lo no âmbito desta investigação, emitiu um mandado de captura nacional em 18 de março.

Depois, na quinta-feira passada, emitiu também um mandado de captura internacional contra Dodik, que saiu do país na semana passada para viajar primeiro para a Sérvia, depois para Israel, para participar numa conferência internacional sobre antissemitismo.

Por fim, viajou para Moscovo, onde se encontrou com o Presidente russo, Vladimir Putin, na terça-feira.

Na entrevista à RTRS, Milorad Dodik afirmou também ter sido informado pelo Presidente sérvio, o seu aliado Aleksandar Vucic, de que o secretariado-geral da Interpol se tinha recusado a emitir aos países-membros um aviso vermelho contra si, solicitado por um tribunal de Sarajevo.

"Vucic telefonou-me há uma hora e meia para me confirmar que o recurso da Sérvia tinha sido aceite e que não haveria notificação vermelha da Interpol, porque se trata de um caso com motivações políticas", afirmou.

A Sérvia, país de que Dodik também é nacional, enviou uma "nota de protesto" à Interpol, pedindo a rejeição do pedido do tribunal bósnio.

"Obrigado ao Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, pelo seu apoio e comunicação clara com a Interpol. Obrigado também a [Viktor] Orbán [primeiro-ministro da Hungria[ e aos presidentes de todos os outros países que apresentaram um recurso", disse Dodik.

O pedido foi rejeitado com base no artigo 3.º dos estatutos da Interpol, que se refere à proibição de perseguição política, informou a televisão pública RTRS.

Dodik tem insistido em várias leis de desvinculação desde que foi condenado pelo Tribunal da Bósnia e Herzegovina, no final de fevereiro, a prisão e desqualificação por não respeitar as decisões do Alto Representante Internacional.

Entre as medidas da entidade sérvia da Bósnia, uma das duas que compõem a Bósnia, está a proibição de as forças de segurança do Estado operarem no seu território e a recusa de reconhecer a jurisdição dos seus tribunais.

Dodik e vários altos funcionários sérvios da Bósnia ignoraram a convocação para depor emitida pelo Tribunal da Bósnia e Herzegovina, o que levou a justiça bósnia a emitir um mandado de captura internacional.

Enquanto a Sérvia, a Rússia e a Hungria criticaram a sentença contra o líder separatista e pró-russo Dodik, a União Europeia, os Estados Unidos e a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) condenaram veementemente os atos secessionistas de Dodik.

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