
Em todas as entrevistas ou conversas, Rita Blanco nunca deixa de ser surpreendente, autêntica, destravada e, acima de tudo, generosa. Não só a falar de si como das causas que acredita e defende.
Rita afirma neste podcast que com a idade ganhou filtros, já não diz tudo o que pensa, porque considera que tantas vezes não vale a pena tal incómodo, mas continua a não resistir a responder a provocações. É incómoda, insubordinada e exigente com os poderosos, ao mesmo tempo que é empática e solidária com quem sofre injustiças e precisa de uma mão ou de uma voz aliada.
Com um humor levado da breca, sabe faz-nos cócegas no cérebro com a maior das facilidades e não se leva muito a sério, apesar de levar muito a sério o que faz.
Ao longo do seu caminho, Rita Blanco já foi muitas mulheres na televisão, no teatro e no cinema. Da comédia ao drama. Só no grande ecrã, Rita Blanco já entrou em 59 filmes, muitos deles premiados e com assinatura do realizador João Canijo, o seu grande parceiro do cinema, com quem Rita prepara um novo filme e uma nova peça de teatro. Uma espécie de dois em um.
E neste podcast Rita conta-nos como foi, como tem sido e o que vem aí.
E chega a revelar as razões para ter sido “muito duro” para si o processo de preparação e filmagens do último filme “Mal Viver/Viver Mal”, e como se surpreendeu com o resultado. “Foi o melhor trabalho que fiz na vida.”
Logo no arranque desta conversa é referida também a sua participação na peça “A Farsa de Inês Pereira”, com texto e encenação de Pedro Penim. Uma criação pensada a partir da obra original de Gil Vicente, mas que foi transformada numa história do nosso tempo, a abanar alguns dos alicerces da sociedade contemporânea, nomeadamente o trabalho, a sexualidade e a célula familiar.
Rita conta aqui como encontrou neste grupo de atores, e em particular com Pedro Penim, um renovado gosto por representar em teatro depois da tristeza e desencanto com o fim da Cornucópia, a companhia de Luís Miguel Cintra e Cristina Reis, onde sentiu no passado transcender-se enquanto atriz.
Recordo que a primeira vez que a Rita conversou neste podcast, numa gravação feita no jardim do Museu de Arte Antiga, em Lisboa, contou que estava mais serena, que com a maturidade tinha largado carga, mas também que deixara de ter muitos sonhos. E ainda disse sobre a sua arte:
“Enquanto vivo outras vidas distraio-me da minha própria morte.”
Será que Rita ainda se reconhece nessa frase? Representar é, de alguma forma, fintar a ideia da mortalidade? Ou uma forma de escapar à banalidade de uma só vida? Será que, desde a última vez, surgiram novos sonhos e desejos no horizonte de Rita? Todas estas questões são respondidas nesta primeira parte, que conta ainda com dois áudios surpresa, com revelações e questões surpreendentes do ator e autor Hugo van der Ding e da atriz Cleia Almeida.
Como sabem, o genérico é assinado por Márcia e conta com a colaboração de Tomara. Os retratos são da autoria de Matilde Fieschi. E a sonoplastia deste podcast é de João Ribeiro.
A segunda parte desta conversa fica disponível na manhã deste sábado.