
O chanceler cessante alemão, Olaf Scholz, voltou a excluir uma hipotética detenção na Alemanha do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, alvo de um mandado internacional, enquanto a sua chefe da diplomacia avisou que "ninguém está acima da lei".
"Não posso imaginar que haja uma detenção na Alemanha", comentou o chefe do Governo alemão (Partido Social-Democrata, SPD).
O socialista Olaf Scholz falava em Berlim, ao lado do rei Abdullah II da Jordânia, pouco depois de Netanyahu ter iniciado uma controversa visita oficial à Hungria, país que teoricamente deveria ter detido o líder israelita por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI).
No entanto, Annalena Baerbock, ministra dos Negócios Estrangeiros (MNE) do governo de Scholz, uma coligação entre SPD e Verdes, foi mais categórica, afirmando, a partir de Bruxelas, que "na Europa, ninguém está acima da lei".
A chefe da diplomacia alemã, dos Verdes, lamentou que hoje tenha sido "um mau dia para o Direito internacional".
O democrata-cristão Friedrich Merz, que venceu as eleições federais antecipadas em fevereiro e procura vir a liderar um governo de coligação com o SPD, já declarou publicamente que está a estudar fórmulas para poder receber Netanyahu sem violar as obrigações da Alemanha, que também assinou o Estatuto de Roma que lançou as bases do TPI.
O primeiro-ministro israelita deslocou-se hoje à Hungria, na sua primeira visita de Netanyahu a um Estado parte no Estatuto de Roma desde que o TPI emitiu um mandado de captura contra ele, em novembro de 2024, por alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza.
O Governo húngaro, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado de Netanyahu, anunciou hoje que vai retirar-se do TPI, marca uma mudança na política externa da Hungria.
A decisão foi elogiada por Benjamin Netanyahu, que saudou a "posição corajosa" que "faz frente a uma organização corrupta".
No entanto, o TPI já veio a terreiro recordar que a Hungria continua a ter "a obrigação de cooperar" com o tribunal.
"O Tribunal recorda que a Hungria continua obrigada a cooperar com o TPI", disse aos jornalistas o porta-voz do TPI, Fadi El Abdallah.