
A fabricante automóvel Stellantis anunciou esta sexta-feira a suspensão da produção em algumas fábricas no Canadá e no México, após o Presidente norte-americano Donald Trump aplicar tarifas sobre veículos fabricados no estrangeiro.
O quinto maior fabricante do mundo - que detém as marcas Chrysler, Jeep e Dodge - anunciou a paralisação da fábrica canadiana em Windsor, que emprega cerca de 4.000 pessoas, a partir de segunda-feira e durante duas semanas, "principalmente" devido às tarifas alfandegárias norte-americanas, de acordo com um porta-voz do grupo.
Desde quinta-feira, 04:01 GMT, os automóveis fabricados fora dos Estados Unidos estão sujeitos a uma sobretaxa de 25%, e também deverão entrar em vigor gradualmente taxas alfandegárias da mesma magnitude sobre as peças de substituição.
Canadá promete retaliação
O novo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, manifestou a sua "solidariedade aos trabalhadores de Windsor e a todos os afetados pelas tarifas do Presidente Trump".
Prometeu ainda que imporia taxas de 25% sobre certos automóveis americanos importados pelo Canadá.
A Stellantis disse que continua a "avaliar os efeitos [das tarifas dos EUA] sobre os veículos importados e continuará a discutir estas mudanças de política com o governo dos EUA".
"As ações imediatas que devemos tomar incluem a interrupção temporária da produção em algumas das nossas fábricas de montagem canadianas e mexicanas, o que afetará várias das nossas instalações de produção e estampagem de motores nos EUA que apoiam estas operações", adiantou o grupo.
Trump anunciou tarifas globais de 10% para todos os produtos da maioria dos países e, nalguns casos, ainda maiores, como China ou União Europeia (UE).
Tarifas são "um problema norte-americano".
A América do Norte é um dos principais mercados da Stellantis, onde em 2024 alcançou um volume de negócios acumulado de 63,5 mil milhões de euros divididos entre EUA, México e Canadá e entregou 1,4 milhões de veículos.
Nesta região, o grupo emprega 75 mil pessoas.
Resultante da fusão das antigas Fiat-Chrysler e PSA, a divisão europeia da Stellantis afirmou anteriormente que as tarifas de 25% sobre os carros importados pelos Estados Unidos são "um problema norte-americano".
"Em 2024 exportamos para a América do Norte menos de 20.000 automóveis de Itália. É evidente que não é um número muito elevado e que o problema é norte-americano, para México e Canadá", disse à Efe uma fonte do grupo em Itália.
A maior parte dos veículos comercializados para o mercado norte-americano são fabricados a nível local, tendo apenas cerca de 20.000 carros sido montados nas suas 11 fábricas em Itália - a maioria Fiat 500 elétricos ou Alfa Romeo Stelvio, Giulia ou Tonale, bem como o utilitário Dodge Hornet.
A maior produção norte-americana resulta da herança que tem da Chrysler, tornando-se membro do grupo das 'três grandes', a par da General Motors e da Ford.
No total, são 16 fábricas nos Estados Unidos da América nos estados de Michigan, Indiana e Ohio, com 52 trabalhadores, a que se juntam fábricas estratégicas no Canadá e no México.
É nesse sentido que aumenta o problema para o grupo, com a aplicação de um imposto sobre cada carro ou componente que entre no mercado dos EUA a partir de fábricas mexicanas ou canadianas.