
O ponto de partida para a discussão foi o Anuário Financeiro do Futebol Profissional Português, que deu nota que as receitas de futebol superaram, pela primeira vez, os mil milhões de euros. Mas o tema da descentralização dos direitos televisivos marcou boa parte da conversa do Advogado do Diabo - videocast e podcast do Negócios que pode ouvir na íntegra AQUI - com Miguel Farinha, Country Managing Partner do EY Portuguese Cluster.
Para o líder máximo da EY em Portugal, "as eleições do Benfica vão trazer aqui um desafio acrescido ao mercado", quando se discutir a centralização dos direitos televisivos. A Liga Portugal tem de apresentar no próximo ano o modelo de centralização e a chave de repartição das receitas, pelo que a disputa eleitoral no Benfica poderá condicionar o debate. E porquê? Miguel Farinha recorda que "o Benfica dá muito barulho, dá muitos 'headlines', dá muitas notícias e isso tem um impacto na opinião pública".
A ideia é partilhada pelo advogado Luís Miguel Henrique, lembrando que a campanha poderá ser marcada por populismos que penalizem a discussão sobre a centralização. "Temos alguém que está [na presidência do clube], Rui Costa, que percebe e compreende tudo aquilo que estamos a dizer e depois há alguém que está na oposição e que já percebeu que [a centralização é] uma das ferramentas do ponto de vista político" e com "algum populismo tem que atacar essa questão da centralização porque o Benfica vai ser prejudicado", frisou Luís Miguel Henrique.
Já no caso das eleições para a Liga Portugal poderem atrasar o processo de centralização, as opiniões dividem-se. Enquanto Miguel Farinha defende que "a Liga construiu o caminho para a centralização" e "já criou uma empresa que fará a centralização e está a fazer o caminho", Luís Miguel Henrique vê como "extremamente difícil que o novo Presidente da Liga, em abril, mesmo que acalme um bocadinho a situação interna, tenha a capacidade, antes de novembro de 2025, de ter as pessoas serenas, calmas, tranquilas, sentadas à mesa, de forma consciente, para trabalhar em prol de um bem comum, que é a centralização". Pelo contrário, argumenta o Country Manager da EY, "a estrutura que está na Liga está montada há muito tempo e tem feito um trabalho nesse aspecto, por isso o novo presidente terá de agarrar esse trabalho e perceber aquilo que ele vê com bons olhos e o que é aquilo que ele quer alterar", lembrando que no caso da repartição de receitas "não dá para inventar um modelo completamente diferente do resto do mundo".
Já sobre os 320 milhões de euros que a EY no passado estimava poder vir a render a venda dos direitos televisivos do futebol português, Miguel Farinha é agora mais cauteloso. "É preciso pensarmos que os 320 milhões foram falados há cinco ou seis anos". "As condições atuais do mercado são mais difíceis", mas "há também fatores para valorizar" porque há mais concorrentes, destaca.
O Advogado do Diabo - A Justiça e os Números é um videocast e podcast do Negócios com o advogado Luís Miguel Henrique, disponível no site todas as sextas-feiras.