O Estádio Capital do Móvel voltou a abraçar um importante desafio da Seleção Nacional feminina. Com um palco quase repleto, Portugal recebeu a Espanha - campeã do mundo em título - para a terceira jornada da fase de grupos da Liga das Nações e saiu derrotado por 2-4.

Fica na retina um duelo combativo parte a parte, que terá reedição na próxima terça-feira na Galiza. Este foi o primeiro teste antes do derradeiro exame perante as campeãs do mundo. Sempre olhos nos olhos - como assim foi no Norte de Portugal - onde se mostrou que as Navegadoras têm vários pontos a afinar para sonhar com a qualificação.

Ponto diferencial? Eficácia

Nos primeiros dois duelos disputados por Portugal nesta Liga das Nações, o empate diante de Inglaterra e a vitória sobre a Bélgica deixaram as lusas a sonhar com a possibilidade de qualificação - ainda que o grande objetivo proposto por Francisco Neto seja a manutenção na Liga A da prova.

Neste mês de abril, dois encontros muito importantes perante a campeã mundial Espanha poderão ditar o futuro. O primeiro está ultrapassado com uma derrota por dois golos que mostrou que as Navegadoras permanecem a conseguir bater-se de igual para igual com a elite.

Afinal, a primeira parte foi demonstração disso mesmo onde apenas a eficácia espanhola imperou. As comandadas de Francisco Neto mostraram-se bastante pressionantes a nível defensivo e dificultaram ao máximo a tarefa ofensiva das espanholas - sendo que detiveram os primeiros remates perigosos na partida.

No entanto, Patri Guijarro abriu as hostilidades, mesmo com resposta imediata de Catarina Amado, num lance em que a ala lusa sentou Cata Coll com classe e alcançou o empate.

O sonho estava vivo, mas Espanha quis levar a vitória avante e aumentou a vantagem em dois golos ainda antes do intervalo . com a eficácia a notar-se de forma clara.

Anarquia no equilíbrio

Com o passar do tempo, depois de uma ligeira superioridade espanhola, surgiu quase que uma anarquia ofensiva parte a parte. Portugal apostou na transição rápida desde cedo - uma forma que originou o golo na primeira metade e igualmente a jogada que oferece a grande penalidade a Carole Costa - e Espanha, a certo ponto, também se guiou pela narrativa que o jogo criou.

A criatividade espanhola veio ao de cima, com as mais variadas intérpretes a serem fundamentais - que o digam as Ballon d'Or Alexia Putellas e Aitana Bonmatí, mas também a própria Clàudia Pina que foi elemento diferenciador em Paços de Ferreira.

Remates atrás de remates, sustos atrás de sustos nas balizas, e, mais uma vez, a eficácia surgiu. Esther González fechou as contas de um jogo que demonstrou que Portugal poderia ter causado mais problemas à Espanha. A definição no último terço, a rapidez na transição e também a mobilidade ofensiva poderiam ter sido peças-chave para as lusas. Aqui, resta afinar para terça-feira.

Agora, segue-se Vigo onde Francisco Neto e Portugal certamente levarão lição bem estudada após estes 90 minutos.