
Num curto comunicado, não mais do que uma linha e meia, o Real Madrid oficializou a contratação de Kylian Mbappé. Concluía-se assim o desprendimento vagaroso do último astro do Paris Saint-Germain, aquele que se manteve em órbita durante mais tempo. Era o eclipse total das superestrelas numa equipa que chegou a também conciliar Lionel Messi e Neymar no mesmo ataque.
Todos estes inquilinos da Cidade das Luzes se foram dispersando. A partir daí, Luis Enrique conseguiu tirar todos os outros jogadores da sombra. Eliminar o Liverpool, líder isoladíssimo da Premier League, da Champions serviu de checkpoint numa época que parece ter um aroma diferente, de mais futebol e menos estatuto.
Antes das atenções se voltarem para a Liga dos Campeões, o fruto mais apetecido do Paris Saint-Germain, era necessário cumprir um requisito mínimo. Vencer a Ligue 1 é uma obrigação desde que o incentivo do dinheiro qatari avivou a predisposição para o clube conquistar o campeonato. Bastava pontuar contra o Angers para que a equipa da capital francesa acalmasse os mais ansiosos. No Parque dos Príncipes, não foi fácil avistar soluções entre um amontoado de defesas. Em dia de poupar algumas das principais figuras, o único golo, apontado por Doué, só chegou na segunda parte, mais do que a tempo para dar início à festa.
Nos últimos 15 anos, o Paris Saint-Germain foi campeão 11 vezes, sendo que em nenhum desses títulos esteve afastado das derrotas até ao final. Em 2024/25, permanece invicto com seis jornadas por realizar, mais um sintoma de que esta temporada pode estar um nível acima das anteriores.
Ninguém nas ‘Big 5’ conseguiu ser mais rápido a garantir o título do que o Paris Saint-Germain. Os números apontam a capacidade ofensiva como aspeto preponderante para tal sucedido. Não há nas principais ligas europeias equipa com mais golos esperados por jogo (2,69) do que a de Luis Enrique, dizem os dados da plataforma FBref que não incluem o encontro com o Angers. Liverpool (2,21), Barcelona (2,44), Inter (1,84) e Bayern Munique (2,49), líderes dos respetivos campeonatos, ficam aquém.
O que têm os portugueses a ver com isto? Vitinha e João Neves são membros indispensáveis no meio-campo que colabora no sequestro da bola. O Paris Saint-Germain é a equipa com mais passes tentados (749,1) e concretizados (669,9) por 90 minutos na Ligue 1, uma eficácia de 89,4%. O apreço pela posse é tanto que, do outro lado, os adversários não concluem, em média, mais do que 283,1 passes. No precioso empenho defensivo pode ser incluída a preponderância de Nuno Mendes.
Menos influente, Gonçalo Ramos tem sabido viver com o estatuto de suplente de luxo. A preferência do treinador espanhol por um sistema tático sem uma referência no ataque condiciona a quantidade de minutos do avançado que, mesmo assim, incluindo todas as competições, marca a cada 85 minutos.
Luis Enrique exteriorizou a vontade de “ganhar todos os troféus” esta temporada. Agora, avizinham-se os quartos de final da Liga dos Campeões. O Aston Villa pode parecer um dos adversários mais tentadores daqueles que resistem na competição. No entanto, o vencedor da eliminatória entre parisienses e villains vai enfrentar o Real Madrid ou o Arsenal.
O mais perto que esteve de ganhar a Liga dos Campeões foi em 2020 numa final disputada em Lisboa, perdida para o Bayern Munique. Não há dúvidas que a Liga dos Campeões é a malapata e que é nela que o Paris Saint-Germain pode recolher o maior certificado de sucesso.
A cidade do amor é também a capital do futebol romântico.