-  Há quem diga que foi muito duro nas críticas a Cristiano Ronaldo depois do Euro 2024...

- Essa citação não era minha, eu nunca disse isso. Acho que o Cristiano Ronaldo é o maior e o melhor exemplo para todos os jogadores do mundo. Já viram como ele trabalha no duro e há quanto tempo ele é bem-sucedido? Mesmo com a idade que tem, ele ainda é importante para Portugal, ainda agora marcou! Para mim, Ronaldo é um dos melhores jogadores da história de todos os tempos. É uma lenda. A sua ética no trabalho, a sua longevidade e o seu valor para Portugal são incríveis. A forma como se apresenta é um exemplo.

- Disse uma vez que Portugal tinha um futebol sexy. Continua a achar?

- Acho que Portugal jogadores excelentes, mas nem sempre mostram o que valem. Acho que podem fazer e mostrar muito mais. O futebol português é bom, eles jogam tão bem. A minha frase sobre o futebol sexy veio da geração de ouro de 2000. A primeira vez que vi Portugal a jogar no Europeu de Inglaterra. Era um grande futebol. Sabe, os portugueses têm jogadores tão bons, às vezes acho que podem fazer muito mais, porque têm um futebol fantástico. Eles têm muito mais potencial do que mostram. E podem fazê-lo!

Fiquei impressionado no meu primeiro encontro Laureus – Navratilova, Comaneci, Spitz, Häkkinen. Quase tinha de me beliscar para acreditar que estava mesmo ali, ao pé daquelas estrelas mundiais.

-  Neste momento está em Hong Kong, como está a ser a experiência nos Laureus, em que está envolvido há anos, o que significa esta missão?

- É uma honra. Ser convidado para integrar o Comité Executivo foi especial, mas os momentos mais poderosos vieram através do trabalho no terreno – estar em Hong Kong, no Soweto e outros lugares onde usamos o desporto para melhorar a vida das crianças e das comunidades locais. É como se estivesse a devolver algo que me deram também.

Em Hong Kong, estamos a ajudar crianças numa cidade onde o desporto ao ar livre é difícil. No Soweto, organizei sessões para crianças que nem sequer tinham sapatos a condizer, mas a luz nos olhos delas quando brincam... Isso é inesquecível. É disso que se trata o Laureus: usar o desporto como ferramenta de mudança.

- Qual o papel que vê o desporto a desempenhar nos países em desenvolvimento?

- O desporto tem um papel enorme. Durante a carreira de jogador, estamos focado e às vezes nem nos apercebemos, mas depois podemos retribuir. É por isso que Laureus é tão especial. Fiquei impressionado no meu primeiro encontro Laureus – Navratilova, Comaneci, Spitz, Häkkinen. Quase tinha de me beliscar para acreditar que estava mesmo ali, ao pé daquelas estrelas mundiais. E não estávamos só a falar de desporto, estávamos a falar de problemas reais da sociedade.