Há uma enorme vantagem na interdição de Le Pen concorrer às presidenciais francesas. E uma pequena benesse. Muita gente — até agora anestesiada — percebe que, afinal, a democracia europeia é, neste momento, uma ficção. E que estamos perante um golpe de Estado. Pessoas que engoliram acefalamente narrativas tão esdrúxulas como o impedimento do candidato romeno ou a golpada no parlamento alemão, começam a despertar para a verdade. Ótimo. Sejam todos muito bem vindos à luta contra os globalistas. Percebam, por fim, que hoje não existe esquerda ou direita mas tão só elites contra o povo. Já o benefício extra é confirmar que André Ventura não passa de um globalista com pele de cordeiro, como já tinha revelado na covid.

Adiante. Em novembro de 1920, nos EUA , Eugene V. Debs recebeu um milhão de votos na sua candidatura presidencial, enquanto estava preso por protestar contra a I Guerra Mundial. Le Pen não foi condenada por tão nobres motivos, mas quase. Teve assessores do Parlamento Europeu a trabalhar para o partido. O delito cometido (perpetrado por todos os partidos portugueses, Bloco de Esquerda com a filha de Louçã, incluído), não justifica a proibição de se candidatar. A execução imediata da pena provisória sem direto a recurso visa um objetivo político que é o bloquear a candidatura. Isto porque Le Pen representa uma frontal discórdia da Europa que quer empurrar-nos para a III Guerra Mundial, a que devolverá os nossos filhos em sacos do lixo. Ou pior. Eis um esquema para ganhar na secretaria, que alimenta ódios e extremismos. É batota rasca. Os vereditos dos tribunais são as novas eleições populares livres e justas. Até as urnas foram usurpadas pelas elites.

De resto, como mostra a história de Eugene ou qualquer grelha de valores democráticos sólida, um condenado continua a ser um cidadão e candidatar-se é um direito de cidadania.

Esta judicialização da luta política, na qual o aparelho judicial é usado como instrumento golpista e reacionário, na qual as sentenças dos Tribunais substituem o sufrágio popular, é o abismo. Bem dizia JD Vance que os países europeus têm medo dos seus próprios eleitores.

Conclusão, doa a quem doer: a Europa é hoje um estado totalitário que só permite um pensamento único. Não é uma ditadura clássica, baseada num único partido, porque o ataque veio de dentro, da oligarquia. A Europa é uma distopia de elites que controlam o sistema político, económico, judicial e os media, em conluio com as elites académicas e culturais, dominando, naturalmente, toda a vida dos cidadãos. Não há qualquer respeito pela soberania do povo, não há consideração da vontade popular, não há democracia real. E para quê?

Bom, depois da crise do subprime, em 2008, após a grande expropriação na covid, segue-se agora a terceira etapa de usurpação de recursos públicos em nome da guerra, à qual se seguirá a final expropriação da propriedade privada. É para isso que serve o globalismo. Para drenar e saquear tudo de quase todos.

“Não terás nada e serás feliz”, anunciam os globalistas. Assim será, a não ser que os milhões que não estão representados mais outros tantos acordados comecem por resgatar o que mais têm de seu: a sua soberania. A não ser que se rebelem contra o futuro. Ainda hoje.

Ativista Política 

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