
"Continuamos a apostar no diálogo construtivo, inclusivo e sincero com todos os partidos políticos e forças vivas da sociedade para que a paz e a reconciliação sejam uma realidade em Moçambique", afirmou Daniel Chapo no discurso de encerramento da IV sessão ordinária do Comité Central (CC) da Frelimo, na Matola, arredores de Maputo.
"Encoraja-nos o facto de o CC ter apreciado positivamente o espírito e a letra do compromisso [alcançado com os partidos e organizações da sociedade civil], e reiteramos o nosso apelo a todos os moçambicanos para o seu pleno envolvimento na materialização do acordo, que não é de partes, mas sim o acordo do povo moçambicano, que não é só o fim, mas o início de um diálogo nacional inclusivo de todos os moçambicanos", declarou.
A Lei do Compromisso para o Diálogo Nacional Inclusivo foi aprovado quarta-feira na Assembleia da República, por unanimidade e aclamação, visando pacificar o país após quase cinco meses de manifestações e protestos que provocaram cerca de 360 mortos, na sequência das eleições gerais de 09 de outubro.
Daniel Chapo destacou que a sua aprovação "é um indicativo claro da convergência no seio dos moçambicanos sobre a necessidade do fim da violência e do ódio".
Daniel Chapo foi eleito quinto Presidente da República de Moçambique, num contexto de forte contestação e agitação social, em protestos convocados pelo então candidato presidencial Venâncio Mondlane -- que não reconhece os resultados eleitorais.
"Ficou claro durante a sessão que estas manifestações não tinham como causa primária a contestação dos resultados eleitorais, pois estas manifestações foram desencadeadas muito antes da divulgação dos resultados eleitorais, de forma meticulosa para desestabilizar o nosso país e estrangular a nossa economia, a economia do povo moçambicano. E mesmo depois de conhecida a verdadeira verdade eleitoral, que foi a vitória clara e expressiva da Frelimo e do seu candidato, o país continuou a assistir à manipulação da opinião pública nacional e internacional sobre a verdade eleitoral em Moçambique", criticou Chapo.
Insistiu que as "violentas, ilegais e criminosas" manifestações pós-eleitorais visavam ser usadas como "instrumento de destruição da Frelimo".
"No entanto, a realização com sucesso desta sessão, demonstra claramente que a Frelimo está aqui, firme, cada vez mais forte e convicta dos seus ideais, porque a Frelimo é o povo", disse.
Chapo acrescentou que a "análise sobre a situação política, económica e social" durante a reunião do CC permitiu "reforçar a convicção de que, apesar de grandes desafios" atuais, "Moçambique continua a ser um país viável e com um potencial para a retoma do crescimento económico e do desenvolvimento, condição essencial para o desenvolvimento e prosperidade" do povo.
Esta sessão do CC decorreu na Escola Central da Frelimo e analisou essencialmente assuntos de gestão interna, incluindo relatórios das estruturas do partido e a proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2025.
A reunião visava ainda analisar a proposta do Programa Quinquenal do Governo (2025-2029) e a proposta do Plano Económico e Social e do Orçamento do Estado para 2025, ambas já apresentadas à Assembleia da República.
Os 254 membros efetivos do Comité Central da Frelimo voltaram a reunir-se depois de, em fevereiro, terem escolhido, sem surpresa, Daniel Chapo para presidente do partido e Chakil Aboobakar para secretário-geral, após votação no principal órgão entre congressos.
O Presidente moçambicano assumiu em 14 de fevereiro a liderança da Frelimo, tendo sido candidato único a suceder à liderança de dez anos, no país e no partido, de Filipe Nyusi.
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