É forte a presença de investidores franceses no setor da aviação em Portugal, e poderá vir a ser reforçada nos próxinos anos com a privatização da TAP, a que Air France/KM é concorrente, a construção do novo aeroporto, não mãos da ANA/Vinci e a fábrica de componentes de aeronave da Airbus.

“Portugal é um mercado prioritário para a Air France-KLM”, escreveu esta quinta-feira, em comunicado a gigante franco-neerlandesa, uma das candidatas à privatização da TAP, que nesta visita de Emmanuel Macron se faz acompanhar pelo presidente do grupo de aviação, Ben Smith. O Governo ainda não apresentou o caderno de encargos da privatização da TAP, mas deverá fazê-lo em breve, e tudo aponta para que a fatia à venda deva ser pelo menos 49%.

Em declarações ao Eco, fonte oficial do grupo Air France, em Portugal desde 1940, reconheceu que esta "é uma oportunidade para reafirmarmos o nosso interesse na empresa [TAP] e no país“. E acrescentou: “Portugal é um mercado prioritário para a Air France-KLM, e continuamos muito interessados no processo de privatização da TAP Air Portugal“, acrescenta.

Não é a primeira vez que o grupo está em Portugal por causa da TAP este ano. Em janeiro, tal como Expresso noticiou, esteve em Lisboa numa operação de charme, tendo-se reunindo com vários stakeholders.

Puxando dos galões, a Air France/KLM diz que é o principal operador aéreo entre França e Portugal, com uma quota de mercado de 45% nas ligações entre os dois países (35% para a Transavia France e 10% para a Air France)”.

Segundo a empresa, no ano passado, as empresas do grupo “transportaram cerca de 4,5 milhões de passageiros de e para Portugal, o que representa um crescimento de 25% face a 2019”. Para este ano, “o grupo prevê continuar esta tendência, com um aumento de oferta de 10%, mais do que o dobro do crescimento previsto para toda a sua rede”. E acredita que no verão de 2025, “a Transavia France ultrapassará a marca dos 15 milhões de passageiros transportados de e para Portugal desde a sua fundação”.


Novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo no pacote da Vinci


Na comitiva de Macron está também o presidente executivo da Vinci Concessions e chairman Vinci Airports. Nicolas Notebaert conhece bem Portugal, país que tem visitado com regularidade desde que a empresa que lidera comprou a ANA - Aeroportos de Portugal.

Na agenda da Vinci estão dois temas relevantes: o novo aeroporto internacional, no Campo de Tiro de Alcochete, um processo que está em marcha. E a concessão das pontes 25 de abril e Vasco da Gama, das quais a Vinci é acionistas, e que termina em 2030. Desconhece-se ainda se a Vinci se vai candidatar à construção da Terceira Travessia do Tejo, infraestrutura de acesso ao novo aeroporto, e que ao tudo indica será ferrorodoviária. A Vinci, sabe o Expresso, ainda não manifestou o interesse em participar no concurso que o Governo deverá abrir em breve.


Airbus aposta em Santo Tirso


O investimento francês marca presença também na aeronáutica, e na comitiva estarão também presentes altos quadros da Airbus, que inaugurou uma fábrica em Portugal em 2022: Nathalie Hellard-Lambis, diretora da Airbus Portugal Global, Cedric Gautier, presidente da Airbus Atlantic, e Johan Pelissier, presidente para a região da Europa para a área comercial da aviação.

A Airbus tem estado a investir na construção de componentes de aeronaves a partir da sua fábrica de Santo Tirso, onde produz 17 diferentes painéis para os aviões da Airbus — 16 para a família A320 e um para o A350. A TAP tem, recorde-se, uma grande frota de Airbus.

O presidente francês, Emmanuel Macron, está em Lisboa esta quarta-feira e estará na sexta-feira no Porto para assinar um conjunto de acordos bilaterais políticos, económicos e culturais entre Portugal e França, bem como para encontros institucionais.