Com a estreia do Ato I seu novo álbum Lusa, a Bárbara Bandeira foi a convidada do programa Track by Track da MegaHits, onde conversou com o Zé Vida sobre o processo criativo.

A Bárbara descreve-se como uma artista "stressada", que precisa de estar presente em todos os detalhes do processo. Só descansa quando o produto final está pronto, mas até lá, tenta ajustar tudo para alcançar a perfeição. O álbum Lusa nasceu de um processo profundamente pessoal: no final de 2023, sentiu a necessidade de se reconectar com suas raízes (por parte de mãe) e, ao mesmo tempo, explorar novas possibilidades criativas: “Eu senti que o projeto pediu para acontecer!”

Em 2024, no início deste processo, a Bárbara lançou a colaboração com o Veigh, um marco importante que a levou a continuar as suas idas e vindas ao Brasil. A partir daí, o projeto começou a tomar forma e a acontecer naturalmente.

Sobre a divisão do álbum em quatro atos, a Bárbara explica que se trata de uma jornada de autoconhecimento, tanto a nível pessoal quanto artístico:

“Este projeto está a dar-me a oportunidade de me conhecer melhor”.

Também destaca como tem explorado novas sonoridades e estilos, resultando numa “descoberta de versatilidade” que a tem desafiado a ir além das suas limitações criativas.

O primeiro ato, ligado ao elemento fogo, marca o início dessa jornada. Ao ser questionada sobre os próximos momentos, afirma que cada um estará associado a um dos outros elementos, sugerindo uma progressão natural do conceito ao longo do álbum.

"Se eu tivesse algum tipo de interesse na internacionalização, sempre soube que começaria pelo Brasil", diz, reforçando o desejo de manter a língua portuguesa no centro da sua música.

A cantora revelou também a loucura que foi gravar a intro deste Ato I, que inclui uma cena ousada com alguém em chamas: “Achava que isto só acontecia nos filmes”, uma ideia do seu realizador Ruben do Valle. Para ela, todo o processo do álbum tem sido uma verdadeira “experiência de adrenalina”, desde a concepção até à produção dos videoclipes.

Falando sobre a capa deste ato, onde surge com um abutre, em tons de vermelho e com fogo, a Bárbara explica que se inspirou no Mito de Prometeu, que aborda temas como castigo e liberdade. Mas a escolha do abutre em vez da águia foi um gesto deliberado: vinha de um disco repleto de borboletas, quase como se de um mundo encantado se tratasse, e queria algo “que chocasse”. O abutre está associado a coisas pesadas, muito más: “Acabámos de sair de um animal tão frágil para algo que acaba por empoderar."

É então que partilha como foi o processo de fotografar, acompanhada do abutre: ”Aquilo não estava programado” porque “estava com tanto medo”. E continua:

“O meu querido shadow, às tantas, decide voar para a minha perna, mas não era suposto!”.

Conclui que a sessão fotográfica não foi fácil, mas: "Fiquei muito orgulhosa de mim própria por ter conseguido fazer.”